Fonte ou Carregador?

Antes de iniciar esta dica, que fique claro que tecnicamente há diferenças entre uma fonte de alimentação e um carregador de bateria. No dia a dia, principalmente com nossos smartphones vulgarmente nos referimos pelo equipamente que fica na tomada como carregador. Na verdade trata-se de uma fonte de alimentação (neste caso 5V, que você entenderá neste artigo), e o circuito para carregar a bateria está embutido em seu celular. Claramente você poderá lembrar-se dos carregadores de pilhas recarregáveis ou mesmo automotivos. Ou seja, uma fonte não é um recarregador, é o que o nome simplesmente diz, uma fonte de energia.

Conceitos

É claro que se você está lendo este artigo possui dúvidas de como escolher uma fonte, mas calma, é importante conhecer alguns simples conceitos para entender do que falaremos.

É claro que a linguagem descrita aqui é muito simples, então se você é um técnico ou engenheiro, pare por aqui mesmo ou deixe quem precisa aprender em paz!

Para facilitar a sua visão, faremos a analogia da energia com a água, que é muito mais fácil de se entender do que algo invisível. Ao utilizarmos uma mangueira de água, percebemos que ela possui uma passagem que corre a água, quanto maior a passagem maior a capacidade de transportar água. Também podemos controlar a quantidade de água pelo registro, girando-o para sair maior ou menor quantidade de água. E ainda, para facilitar a limpeza podemos utilizar uma lava-jato, que pega a água e pressuriza para dar maior velocidade e força. Mentalizou esta cena clássica?

Voltagem (V)

Na energia elétrica existe uma unidade chamada Voltagem, a qual você pode imaginar como sendo a velocidade que a água flui de sua mangueira. Quanto maior a "velocidade" podemos dizer que teremos uma Voltagem maior. Numa fonte de energia esta unidade é indicada pela letra V.

Corrente (A)

Estamos falando agora da bitola da mangueira, espessura, diâmetro. Fica claro que quanto maior o diâmetro maior a capacidade de conduzir àgua e produzir literalmente uma corrente de água. Na energia elétrica também é chamado de corrente, mas de corrente elétrica e a unidade utilizada é o Ampére, representado nos equipamentos pela letra A.

Esta unidade tem uma "pegadinha". Muitas vezes vemos em equipamentos representando a corrente pelas letras mA. Nada mais é do que a abreviação de "mili", ou que a unidade foi dividida por mil (clique aqui para conhecer todas as abreviações). Exemplo 500 mA é a mesma coisa que 0,5A, simples assim.

Potência (W)

Potência em termos muito leigos e simples a multiplicação da Voltagem pela Corrente, indicados pela unidade Watts, ou abreviadamente W. Também possui analogia direta com a água. Correnteza, potência de saída da mangueira.

Reforçando a ideia, multiplique a voltagem pela corrente e ache a potência, mas CUIDADO que há excessões: para qualquer equipamento que contenha motor elétrico, capacitores ou algo parecido coloque uma BOA MARGEM nesta conta, pois há fatores (de potência) que alteram esta conta. E quando digo boa é uma grande margem mesmo,algo do tipo 35% a 45%.

Fonte Contínua ou alternada e frequência (Hz)

Este conceito parece ser difícil de entender, mas na prática não complique, é exatamente o que o nome sugere.

Na fonte com saída continua a voltagem será sempre a mesma, não variando ao longo do tempo. Se a fonte indica 5V, sua saída será de 5 volts o tempo inteiro, sem variar.

Na fonte alternada a voltagem varia, com sua máxima indicada na placa da fonte. Uma fonte 5V por exemplo inicia em 5 volts, vai diminuindo até chegar em -5 volts (isso mesmo, negativo) e retorna ao 5 volts. Este ciclo chama-se frequência, e esta frequência é medidas em ciclos/segundo. Para abreviar ciclos por segundo é utilizada a medida Hertz ou a abreviação Hz. Também pode ser referenciado por AC (corrente alternada) ou DC/CC (corrente contínua).

Então quando você encontra uma fonte, esta indica alternada em uma frequência 60Hz, quer dizer que a voltagem se altera 60 vezes a cada segundo. 60 Hz é a frequência padrão para alimenração no Brasil.

Exemplos:

Vamos analisar alguns exemplos e dissecar as unidades das fontes.

Fonte de notebook:

Imagem exemplo fonte de Notebook

 

Veja a palava "INPUT" e "OUTPUT", traduzindo respectivamente para entrada e saída. a Entrada normalmente é a tomada que você conectará na rede elétrica e a saída é a conexão no equipamento.

Neste caso a fonte aceita uma entrada (INPUT) de 100 até 240V automaticamente (também chamado de Full-Range), sem necessitar de um seletor, numa frequência de 50 ou 60 Hz e pode conduzir até 1.7A de corrente elétrica da energia.

A saída (OUTPUT) será de 20 volts, 3.25A máximos. Podemos calcular grosseiramente a potência de saída, de 20 x 3.25 = 65W.

Veja que a fonte ainda possui um desenho de uma onda no Input, logo após o 240V, indicando que a entrada será de corrente alternada. Além disso no OUTPUT possui o desenho de uma linha e outra pontilhada depois do 20V, indicando que a corrente de saída é contínua.

Fonte USB:

Imagem de uma fonte USB

 Entrada da tomada (Input); 100 a 240V automático, 50 ou 60Hz com até 0.15A de corrente elétrica

Saída USB: 5 volts, corrente contínua(pelo desenho, traço contínuo e pontilhado) e corrente máxima 1A

DICA: Toda fonte USB será de 5V com corrente contínua, somente variando a corrente, que deverá ser de pelo menos 500mA de acordo com as especificações USB. Existem equipamentos que necessitam de uma corrente de maior capacidade, consulte o manual de seu equipamento.

Fonte Universal:

Esta fonte é como um coringa, funciona para diversos equipamentos mas necessita ser configurada de acordo com a especificação de seu equipamento.

Imagem de uma fonte universal

Veja que neste caso temos chaves para configurar a saída desejada de acordo com o equipamento a ser alimentado. Esta fonte ilustrada precisa em primeiro lugar ser configurada sua tensão de entrada para 110V ou 220V, não é automática. Depois é preciso mudar a chavinha da voltagem de saída para uma das opções oferecida: 12V, 9V, 7.5V, 4.5V, 3V ou 1.5V, e por último ainda há outra chave para indicar se o pino central de saída será o polo positivo (+) ou negativo (-), chamado de polaridade.

PEGADINHA: Não esqueça de selecionar a polaridde, se não pode danificar o seu equipamento!. Veja na placa de identificação ou no manual do produto se o pino central é positivo ou negativo.

 

Finalmente - como escolher a fonte!

Depois de saber todos os conceitos de eletricidade, fica fácil escolher uma fonte com mais segurança. Basta identificar as unidades:

- Voltagem de entrada (volts). Este valor deverá ser exatamente igual ao de seu equipamento.

- Potência ou corrente elétrica, alguns equipamentos indicam isso como W outros com A ou mA (conforme visto anteriormente). Normalmente é mais fácil encontrar fontes pela corrente em A, então se seu equipamento somente fornece o dado de potência faça o cálculo inverso, divida a potência pelo voltagem (cuidado! veja as considerações que fizemos no item Potência!) para chegar na amperagem. Este valor deverá ser igual ou maior, preferencialmente com uma boa margem para que não danifique a fonte ou se deteriore precocemente.

- Tipo de conexão, ou pino e sua polaridade - se o pino central é positivo ou negativo. Esta é a parte que requer maior atenção. Preferencialmente leve seu equipamento junto caso seja possível para testar a conexão exata do pino, além de localizar a polaridade exata entre o equipamento e a fonte a ser adquirida.

- Corrente alternada ou contínua. A maioria dos eletrônicos necessitam de corrente contínua, mas é bom verificar junto ao manual ou placa de identificação. Esta característica deverá ser idêntica à entrada de seu equipamento.

DICA: Se o seu equipamento for USB, você somente necessitará identificar a potência ou corrente elétrica necessária para alimentá-lo. Muitos smatphones modernos e tablets não se satisfazem com os 500mA (ou 0,5A) fornecidos pela maioria das fontes USB

Exemplo de uma placa de um equipamento:

Manual geladeira - detalhe da alimentação

Este trecho foi retirado da Geladeira Automotiva Black+Decker como exemplo.

Podemos extrair que a alimentação dela é de 12V CC (corrente contínua), com uma potência máxima de 48W. Mas as fontes são vendidas em Amperes (A), então dividimos 48 por 12 e chegamos a 4A. Mas lembre-se que se ela possui um motor temos que dar uma boa margem. Neste caso um número cerca de 40% de margem, ficando com uma corrente elétrica de pelo menos 5.6A. Fontes com maior capacidade servirão, será mais uma questão de custo.

Então, temos que achar uma fonte:

- 12 Volts corrente contínua
- 5.6A (amperes) ou maior

E claro, com o pino adequado que conecte-se à geladeira.

Dúvidas ainda? Fale com nosso atendimento e poderemos lhe orientar!

Postado em Dicas por

Daniel Sclearuc